Robô Da Vinci
substitui braços de médicos em hospital de SP
O Hospital Sírio Libanês, de São
Paulo, começou a utilizar no último domingo (30) um dos mais modernos sistemas
robóticos para cirurgia. Trata-se de um equipamento que faz o papel dos braços
--e não do cérebro-- do médico durante uma operação, com objetivo de tornar os
procedimentos cirúrgicos mais precisos.
O aparelho, chamado Da Vinci, foi
utilizado em duas cirurgias de próstata desde que entrou em operação. O robô
tem formato de uma espécie de polvo, com quatro braços. Um deles é ocupado por
uma câmera que gera imagens 3D, enquanto os outros ficam com instrumentos cirúrgicos
como pinças, tesouras e bisturi.
Reprodução
Simulação no uso do robô Da
Vinci; Por meio de dedais, médico controla braços do equipamento, que responde
aos movimentos
"É o próprio cirurgião quem
opera. O robô não faz nada, a não ser que o médico mande. Se ficou bom [o
resultado da operação], se ficou ruim, tudo foi o cirurgião que fez",
afirma Riad Younes, diretor clínico do hospital.
Durante a operação, o médico
controla os braços robóticos por meio de um console --ele faz movimentos nos
dedais e é imitado pelo equipamento dentro do paciente. Para se guiar pelo
corpo, o cirurgião usa uma câmera com capacidade de ampliar em até dez vezes a
imagem do organismo. O profissional tem acesso a essas imagens por meio de um
visor.
Para evitar panes durante os
procedimentos, o robô tem sistemas de segurança. Ele não realiza nenhuma ação
se o médico não estiver com a cabeça fixa do visor. E sua base não se mexe
enquanto os braços estiverem inseridas no paciente. O equipamento também não
toma qualquer atitude sozinho --apenas reage aos comandos do cirurgião.
De acordo com o Sírio Libanês,
que investiu quase R$ 5 milhões no projeto, com o Da Vinci é possível fazer
cortes menores que 1 cm na pele do paciente, o que diminui os sangramentos e o
tempo de recuperação, em relação às operações convencionais.
Precisão cirúrgica
Como o robô é mais preciso nos
movimentos, filtrando inclusive o tremor das mãos do médico, há a expectativa
de que o aparelho também diminua efeitos colaterais de certas operações.
No caso da cirurgia de próstata,
os médicos querem reduzir os índices de impotência sexual e incontinência
urinária que podem ser causados pela operação.
Reprodução
Braços do robô durante cirurgia;
com movimentos mais precisos, equipamento pode diminuir efeitos colaterais da
operação
O Da Vinci é uma evolução de um
outro tipo procedimento pouco invasivo, a video laparoscopia: método que
consiste na inserção, por meio de pequenos orifícios no abdômen, de uma pequena
câmera e tubos equipados com instrumentos utilizados para retirar o tecido com
problemas.
Segundo os médicos do hospital, a
principal diferença está na qualidade da imagem a que o profissional tem acesso
e ao tipo de movimento que as hastes do novo equipamento podem fazer.
Durante uma laparoscopia, o
cirurgião olha uma tela com imagens de duas dimensões, geradas por uma câmera
manejada por um assistente (não automatizada).
Reprodução
Para evitar panes, equipamento
tem sistemas de segurança; se médico tirar cabeça do visor, aparelho não
funciona
O Sírio Libanês reconhece que,
para o paciente, a diferença é pouca entre os dois procedimentos com o uso de
vídeo, com resultados de cirurgia bastante similares.
A maior diferença seria para os
médicos. Isso porque é mais fácil manejar o Da Vinci, o que pode fazer com que
mais pessoas possam dominar essa técnica.
Com isso, o hospital espera
popularizar as cirurgias com essa tecnologia. Em até um mês, uma segunda
unidade do Da Vinci deve chegar ao hospital, para ser utilizado em programas de
treinamento.
O hospital informa que ainda não
foram feitos os cálculos a respeito dos valores das cirurgias com o
equipamento. Há a expectativa de que o valor não seja muito mais alto que as
laparoscopias, que custam em média de 15% a 20% mais que os procedimentos
convencionais.http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u387925.shtml
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